O viajante

Todas as vezes que eu desço de algum avião eu sempre paro – por um mili segundo é claro, não queremos irritar todos os passageiros loucos para descer da aeronave. Paro alí no meu mili segundo do meu universo paralelo e sinto a cidade me receber. Algumas me recebem com um abraço caloroso, outras com uma humidade que é quase um beijo, e outras com aquele ventinho gélido, aquele bem-vindo tímido, podendo ser comparado a um tapinha amigável nas costas. Paris sempre me recebe assim, na timidez, mesmo já tendo nos conhecido antes. Logo quando esse mili segundo acaba, começamos a seguir a manada em direção a imigração e então passamos por um túnel gigante que tem o teto peculiar que para mim parece pelo/espuma. Mas não é só isso, além do teto as paredes de todo o extensão do corredor são repletas de obras de arte (em cartaz ou material do tipo) e frases de escritores famosos sobre “viajar”. Eu aqui já paro de caminhar e deixo a esteira me levar para que eu consiga ler todas, pressa pra quê?

Destaquei uma que tive até que caminhar na contra mão para tirar uma foto, para não esquecer o seguinte “Voyager c’est naître et mourir à chaque instant” (Viajar é nascer e morrer a cada instante). O autor é Victor Hugo, que de acordo com o wikipedia foi um novelista, poeta, dramaturgo, ensaísta, artista, estadista e ativista pelos direitos humanos francês de grande atuação política em seu país. É o autor do famoso Les Misérables. Sábio, não? Já ouvi várias frases sobre viajar- sim, o verbo, no infinitivo, porque não importa para onde você vai, você nunca volta o mesmo. Se eu te perguntar “o que é viajar para você?”, o que você me diz? Existem pessoas que não gostam de viajar, gostam de se enraizar, e eu nem julgo porque nosso “lar” também é algo que não tem preço, mas tem valor, e esse nem consigo explicar. Porém, EU, euzinha aqui, “AMO/SOU” viajar, como dizem alguns instagrams por aí “se viajar fosse de graça, ninguém me via mais”. E nesse caso concordo com nosso amigo Victor que viajar é de fato nascer e morrer a casa instante, e não só isso é desaprender e aprender também.

Muito bem, voltando aos tramites de todo viajante, depois da imigração a manada segue para o “baggage claim” que nada mais é um momento de tensão pra mim porque eu fico esperando a esteira “cuspir” minha mala como se ela tivesse se tele-transportado da minha cidade para alí e se ela não aparecer é porque não teve sucesso, tadinha. Lembro bem quando voltei de mudança da Itália pro Brasil uma das minhas malas não apareceu, fiquei bem chateada, parece que essas coisas só aconteciam com outras malas. Quando você avista sua mala é um momento especial com direito a música romântica no fundo. Pois bem, como essa nossa viagem de lua-de-mel foi uma semana, levamos cada um uma mala, e com folga (que orgulho). As duas chegaram bem, com atraso, mas o importante é chegar.
Depois das malas cada um da manada segue seu rumo, alguns pegam taxi, outros uber e outros alugam carro, que foi o nosso caso. Alugamos um e na hora fomos seduzidos a fazer o upgrade pelo mesmo modelo porém novo, e com GPS embutido.
-Toca pra Provins, Fabio!

Alguns bons minutos depois que entramos no carro foram dedicados ao “reconhecimento do território” e às funções/configurações do carro. Tudo pronto, aqui vamos nós em uma viagem no tempo para a cidade Provins!

Ok, ok escrevi demais e perdi o foco hehe, mas vamos aqui ao primeiro post sobre a cidade -sim, vou ter que dividir em dois porque as fotos estão muito pesadas.

O hotel quem escolheu foi meu marido, a contra gosto meu. Por mim a gente teria ficado em um que tinha paredes de pedra, cama com dossel, decoração rústica e aquela vibe de que estamos em 1400. Depois da primeira volta pela cidade e da primeira noite lá eu tive que agradecer a escolha dele haha. A cidade é tão antiga que juro que fiquei com muito medo. Medo de ver espíritos perambulando por aí, porque eu tenho certeza que espirítos que já passaram por lá não foram poucos (e não, ver espíritos não é um habito meu, é só uma maneira de representar o meu medo do desconhecido). Conclusão: mordi a língua, mais uma vez, e tive que tirar o chapéu pro Fabio. Nosso hotel, o Le Hotel Cesar Provins, estava todo novinho, limpino e fofinho para nos receber.
Se não acredita é só dar uma olhada aqui nas fotos! =D

Fica aqui um grande abraço aos viajantes, e aos enraizados! :**
Baci, Baci
Laura Valadão

PS: próximo post falo mais sobre Provins!

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